é um momento único*. Estabelecem-se laços** para a vida. Criança amamentada é mais saudável, mais inteligente do que a que é alimentada a leite de fórmula. Leio estas afirmações um pouco por todo lado e apetece-me dizer “mas como é possível?”. Estudos e mais estudos feitos sobre o benefício da mama; estudos e mais estudos feitos sobre o elo emocional... Esquecer-se-ão os estudos de mencionar que têm por base uma amostra e que o mundo inteiro não cabe nela. Um bebé é um ser humano único e a sua progenitora também.
Dar de mamar não é romântico, não cria laços entre o bebé e a mãe, não o tornará mais inteligente*** do que o bebé que bebeu leite de fórmula. A mulher que amamenta não se sentirá necessariamente o ser mais belo deste mundo, nem perderá quilos à medida que amamenta. O metabolismo tem aqui um papel fundamental... eu que o diga que engordei 12 quilos; a minha mãe que o grite bem alto que da minha vez, a terceira filha a chupar nos seus seios e já aos seus 39/40 anos, engordou 30 quilos...
Amamentar tem um objectivo: alimentar. O amor não se mede aos litros nem tão-pouco jorra pelos mamilos. Ele vem do coração (ou da razão) e sai por cada poro, por cada palavra, por cada lágrima. Se a mulher grávida cria expectativas em torno da amamentação, é natural que esta se torne mais complicada: nos primeiros dias dói e muito (a umas mais que outras, depende da sensibilidade — há mesmo quem tenha que pôr de lado a amamentação e não é por cobardia ou mariquice... é, na minha opinião, por bom senso; os filhos de facto não exigem sacrifícios, exigem prazer e amor... apenas).
Amamentar tem duas**** reais vantagens: é barato e é prático. São contos de reis que se poupam... em latas de leite, em biberãos, em tetinas, em esterelizadores, enfim: numa panóplia de coisas. É prático porque sai-se de casa sem malas e mochilas... as mamas vão sempre acopladas e não precisam de ir ao micro-ondas para atingirem a temperatura ideal...
Já uma vez aqui escrevi as técnicas — tão discutidas... parece que fome é palavra proibida — para se perceber se um bebé tem fome ou não; para ver se a mama o satisfaz ou não; nem todos se satisfazem com o mesmo, há as lontras que só ficam satisfeitas quando comem por dois ou três. Passo agora a descrever algumas coisas que poderão ajudar ao sucesso da amamentação.
O primeiro passo é querer amamentar. Se não quer a mulher não tem que ser recriminada por isso. A mulher é dona do seu corpo e usa-o da forma como bem entende. Dizer "que raio de mãe que não dá de mamar para não estragar as mamas..." não faz sentido... Se para essa mulher o seu corpo representa tanto o seu bem-estar não há razão para recriminações.
O segundo é ter prazer no acto — a hiper-sensibilidade à volta do mamilo por vezes causa dores a roçarem (ou a ultrapassarem) o insuportável; tabus em relação ao próprio corpo também poderão criar entraves ao acto. Tudo isto é normal e mais uma vez não deve nem pode ser julgado de ânimo leve. Se, mesmo com dores, a mulher optar por continuar, se achar que são suportáveis, há formas de as minimizar*****.
Não ficar nervosa é imperativo. O bebé é o ser que melhor conhece a mãe. Viveu dentro dela ao longo de nove meses. Sabe como é o seu cheiro, o seu sabor. Sabe quando ela está tensa, quando está triste, quando está feliz... No momento de pegar na mama, ele estranhará o ser que o quer amamentar se ele se revelar nervoso, com medo... todas as sensações são transmitidas pelo cheiro. O próprio encaixe acaba por não se fazer quando a mãe tem medo ao pegar no recém-nascido... O recém-nascido sabe muito bem como se encaixar na mãe desde que esta se mostre aquilo que foi antes de ele ter saltado cá para fora.
Algumas dicas para uma amamentação bem sucedida, desde que todas as coisas anteriormente ditas forem satisfeitas.
- Mulher que não come e não dorme não poderá ter leite em quantidade e qualidade desejável. Após o parto, muitas vezes extremamente desgastante, no regresso a casa, uma noite bem dormida com tampões nos ouvidos e com o bebé a beber um biberão dado pelo pai pode ser um bom princípio. Se o bebé começa a reclamar com fome no início da refeição da mãe, o maior favor que se pode fazer ao pequeno ser é prosseguir com a refeição... Sentir fome por dez minutos não é o fim do mundo. E no fim o leite será bem mais nutritivo.
- Tomar um suplemento vitamínico poderá revelar-se necessário. O ideal é que a mulher faça análises após o parto e que se aconselhe com o seu médico e com o médico do bebé sobre este ponto.
- Há um spray nasal à base de oxitocina que pode ser usado. Não é um método totalmente natural, mas ser mãe no século XXI tem vantagens e há que saber usufruir delas.
- Usar a boca do pai para puxar o leite. A força exercida pela mandíbula humana é superior à da bomba.
- Beber litros de água.
- Saber de antemão que 90% da dose que o bebé mama ocorre nos primeiros quatro minutos. Ter um bebé a engonhar na mama só faz mal à mama, à mãe e a ele. O tempo de duração não deverá ultrapassar os 20 minutos (claro que há dias e dias...) e dever-se-á sempre ter atenção se o bebé está a mamar ou a chuchar. Usar a mama como chucha pode não dar jeito mais tarde... Se o bebé adormecer a mamar, ao fim de apenas uns quantos minutos, há que “obrigá-los” a acordar (uns toques nas bochechas, uma massagem na palma da mão ou mesmo lavar-lhe a cara com soro).
*é de facto muito romântico às vezes... mas há sempre os dias em que nos apetecia ir ali e já voltar e a dependência da mama não o permite... ou os dias em que nos apetece ir para a cama e dormir e ainda temos meia hora pela frente para amamentar... Claro que vai aparecer aqui alguém a dizer que é sempre único... que todas as mamadas são românticas... Lamento não ser assim tão boa mãe.
**fui amamentada ao longo de um ano e não é por isso que tenho um laço especial com a minha mãe; tive-o maior com o meu pai e garanto que nunca mamei nas mamas peludas dele...
***a inteligência está relacionada com inúmeros factores, desde a formação do cérebro ainda na gestação à alimentação ao longo de toda a vida...
****pessoalmente acho que também tem uma terceira que é o sabor... nenhum leite de lata consegue ser tão saboroso. Não acreditam? É só provarem. Simplesmente delicioso. O da mama.
*****não usar aquelas rodelas que são tão vendidas é uma boa forma de começar... As rodelas não deixam o mamilo respirar da melhor forma, criam humidade e podem provocar gretas.
28 comments:
Hoje sou eu a primeira a regar !!!!
Mais um post "serviço público".
Tu escreves as coisas de uma forma um pouco polémica, mas eu não posso deixar de concordar contigo na generalidade das coisas que dizes.
Amamentar é complicado para uma mãe sem experiência e mal orientada. Eu achei. E estava muito motivada e "documentada".
Mas pronto, agora essa fase má já passou...
Beijinho
Como acho que sabes não concordo totalmente contigo, a amamentação quer se queira quer não favorece a vinculação, mas isso só acontece quando tudo corre bem. Não quer isto dizer que uma mãe que não dê biberon não possa promover a vinculação de uma forma intensa, mas nenos natura e não tão imediata.
O olfacto é uma das capacidades precoces mais importantes do bebé e é altamente estimulada quando o leite é materno, por essa razão, uma mãe quando tem leite não deve dar de biberon, podendo este ser rejeitado pelo bebé, pois o que ele cheira não é o que lhe é apresentado.
Outra das coisas que não concordo é com o beber litros de água, pois isso pode alterar a consistência do leite,acabando por o diluir e este acabar por não saciar o bebé, pois as gorduras nele presentes estarem diluidas, tendo o bebé que beber mais para conseguir consumir todos os elementos, como as gorduras necessárias.
De resto, concordo em tudo!
obrigada pelo leite!!!
queria-te tb dizer que talvez eu tb não tenha sido boa mãe, pois eu optei por deixar de dar de mamar aos 2 meses e meio, tendo a amamentação estabelecida e leite, mas precisava de alguma independencia e embora adorasse estar perto dele, os senãos, das dores da sucção e do cansaço retiraram-me o prazer de o fazer.
Bom Blog! Acho o teu post muito útil para as mães que se culpam por não terem sucesso na amamentação. Este é um tema que acaba por originar posições extremas e crispadas, em especial porque nem sempre é fácil ser-se racional e descontraída quando se tem um bebé pequeno e se criou a convicção de que dar de mamar é fundamental para o seu bem estar presente e futuro (isto pode ser verdade em países onde há fraco acesso a água potável, a leites adequados e a cuidados médicos; nestas condições, uma criança está muito mais segura bebendo leite materno. As recomendações da OMS sobre a amamentação têm por base estudos feitos, em especial, em países pobres, onde as crianças correm riscos sérios de morrer por complicações gastro-intestinais. Felizmente, entre nós, esses casos são a excepção).
Tanto amamentar como não amamentar têm vantagens. Agora, e para descomprimir... não me parece que a primeira opção seja mais barata. Ora vejamos: 2 ou 3 soutiens próprios: 30/40 € cada; discos protectores: 10 € por caixa; extractor de mamilos: 10 € (deu-me jeito); caixinhas de plástico para arejar os mamilos debaixo da roupa: (não me lembro do preço, mas deram jeito); creme para mamilos: 7 €; bomba: 50 €... e quem compra a bomba vai comprar também toda a parafrenália que inclui biberões, esterilizador, etc. Ah!, e a amamentar come-se muito mais, o que, só por si, já faz disparar a despesa. Ou seja, a caixa do leite em pó acaba por ser o mais barato de tudo...
Desculpa-me por ter ocupado tanto espaço. Um abraço.
Marta: E vê como floresceram as flores... Sou um bocadinho bruta, eu sei. Por esse mesmo motivo é que há assuntos que prefiro tratar aqui, no blog, onde ninguém é obrigado a ler. Também acho que amamentar pode ser muito complicado. Comigo correu bem, repito, porque pura e simplesmente nunca me ralei com o assunto... Não via o acto de forma especial... talvez isso tenha ajudado muito mesmo. É só isso que gostaria de transmitir. Não se preocupem muito... é preciso é que comam. Só isto fará com que o leite corra melhor.
Rute: Primeiro acho que má mãe é a que não olha pelo bem-estar do filho... Acredito nisto. O cheiro é algo que não vem só no leite. Sei bem do que falo sobre dependência de mama. Eu NUNCA toquei em biberão ou em chucha alguma (e bem que tentaram) e vi-me grega com a minha garota para que ela aceitasse o biberão... mais que grega (já chucha... é fixe para brincar - apenas isso). O que eu acho é que pelo facto de eu ter amamentado, isso não me torna mais ligada à minha filha do que uma pessoa que tenha alimentado a filha pelo biberão. Só isso. Não defendo o leite artificial. Apenas acho que há romantismo a mais nesta história. Romântico é estarmos nuas com aquele ser encostado à nossa pele. Com ou sem leite à mistura. O toque, o cheiro... e esse não acaba em altura alguma. Hei-de ter 100 anos (pq chegarei lá... serei velha e chatérrima) e continuarei a sentir o cheiro da minha filha, a poder tocá-la. O problema quando se fala da mama promover a vinculação é que a recém-mãe, sujeita a uma série de pressões nomeadamente das hormonas, começa a entrar em parafuso e isso apenas impede que a amamentação seja bem sucedida... Se esquecermos essas coisas, o leite fluirá melhor. Sobre os litros de água... olha apanhaste-me de surpresa... No dia em que ela nasceu bebi a módica quantia de seis litros... (avisaram-me para não beber muito por causa da subida do leite que seria em demasia e a moça não daria vazão). O leite se era bom ou não, não sei. Mas que ela nunca perdeu peso e engordava 350gr por semana após os 15 dias de vida isso é verdade...
Sofia M.: Olá Sofia. Pois... mas não percebo esta coisa do extremismo neste ponto. No tempo das minhas avós ninguém se ralava com estas coisas e a verdade é que havia leite a granel... Que bom que falaste na OMS. Infelizmente as directrizes dadas para os países em desenvolvimento são adoptadas cada vez mais por cá... e por muito lado. LOL... Olha para ser franca a mim saiu barato. Os soutiens foram emprestado. Comprei apenas dois ao longo dos quase oito meses...; os discos (obrigada... nã me lembrava do nome) comprei uma caixa e depois de ouvir o que um enfermeiro me disse na maternidade ela ainda ali está no armário... gastei uma meia dúzia; o gretalvit (o que usei) só o gastei antes de ela nascer e durante a primeira semana; extractor de mamilos (sorry a ignorância mas não sei o que são nem as caixinhas de plástico para arejar os mamilos debaixo da roupa. A bomba (62 euros a minha que até me doeu) se soubesse o que sei hoje nem a teria comprado... por falar nisso alguém quer uma? está à venda ou para alugar. Biberões só comprei um e duas tetinas... Comprei o segundo qd ela passou para o leite de fórmula... Sim. Só tenho dois biberões e a coisa corre lindamente hehehe. Agora sobre a quantidade de alimento ingerido não poderia estar mais de acordo... Sabes o que é comer uma dose num restaurante, aquela dose que antigamente não conseguiriamos acabar, e no fim não pedir outra só mesmo pela vergonha??? E guisado de lulas ou entrecosto assado às cinco da manhã???
Sobre o espaço ocupado, não desculpo coisíssima nenhuma... Ocupa por aqui o espaço que quiseres e bem te apetecer... Eu serei a última pessoa a censurar... Se continuares a vir aqui perceberás porquê.
Beijos grandes às três
Chuak, Chuak, Chuak, Chuak!!
continua a dizer ser boa ou má mãe não depende da amamentação, apenas disse, pelo que leio da importância da amamentação para uma melhor vinculação. e sei que leste o que escrevi atrás, apenas disse essa vinculação pode ser atrasada e nunca impedida.Disse tb que o cheiro e especialmente o do leite materno favorece essa aproximação possibilitando assim esse attachement.è inato, animalesco, o que quiseres, por isso somos mamiferos. mas claro está, os seres humanos são racionais, por isso arranjam formas de contornar problemas, através do leite artificial e de tetinas, apenas isso. após isso resolvido, tudo correrá bem.
No que diz respeito à água, os nutrientes não desaparecem, claro, apenas se diluem e torna mais demorada a amamentação, mas igualmente eficaz. podes beber a água que quiseres, mas não se deve exagerar, pois nos primeiros tempos o cansaço e o sono da criança são uma constante e pode levar à criança não mamar tudo o que é necessário!
bjs
Há pouco eram os meus tios... acompanhados de uma criancinha dos seus 8 anos que de 10 em 10 minutos soltava em mim o impulso do estaladão.
Só tenho um pontinho a acrescentar, para reforçar o que já foi dito: O meu filho começou com o suplemento com 4 semanas (sim... quando finalmente ultrapassei as gretas e as 'dentadas' que ele me deu nos primeiros dias e a coisa regularizou, leite transformou-se em água!) e ainda hoje ele cola o nariz ao meu peito a cheirar e fica super-calmo nessas alturas. Não é o cheiro do leite que ele sente... É o nosso cheiro que eles conhecem e adoram assim como nós conhecemos o deles e adoramos. Quanto ao estar pele-com-pele com os piolhitos... Até obriguei o pai a tirar-nos fotos para se algum dia me esquecer do que é a felicidade, poder olhar e recordar...
A minha mãe amamentou-me apenas durante o primeiro mês de vida porque depois ficou se leite. As minhas irmãs mais velhas mamaram até um ano de idade. O vinculo entre mim e a minha mãe não foi diferente do vinculo entre ela e as minhas irmãs e definitivamente não sou menos inteligente do que elas.
O Martim sempre mamou do meu leite e também do artificial e eu tenho a certeza que o meu amor por ele não é menor do que se eu amamentasse exclusivamente!
É por isto que me irritam os fundamentalistas da amamentação!
Parabens pelo post! Assim "se chamam os bois pelos nomes!"
Beijinhos e bom fim de semana
Estou há semanas para escrever sobre este assunto... infelizmente, o gajo pequeno não deixa! heheehe!
Acho absurdo catalogar-se as mães entre as q amamentam e as q não amamentam... Gosto de amamentar e, por isso, comtinuo. mas sim, faz-me falta a liberdade e, como não casg tirar leite (ainda), vou pedir ao pediatra q me receite um leitinho artificial para q, de vez em qd, tb possa ter um tempinho para mim, q tb mereço...
Além disso, sou contra a amamentação até eles terem barbas... acho q os malefícios deverão ser mto maior q os benefícios. Dependências emocionais não me parecem boas... e eu tb quero q mais alguém ande pendurado nas minhas mamas, para além do meu filho ;o)! Não me vejo a ter anos as mamas com leite... e, se isso faz de mim uma má mãe, paciência.
Bom, eu só mamei colostro, tipo 2 dias, e não é por isso q gosto menos da minha mãe, nem ela de mim... aliás, posso até atestar q a minha mãe é das mais galinhas q já alguma vez vi (pior q eu).
Qto ao sabor do leite... eu até nem gosto mto de leite, mas já provei o meu e acho fixe... logo, não posso negar q o miúdo tem bom gosto :)!
Horas Vagas: :)
Rute: Eu não quero dizer que o elo não existe. Parece-me é muito secundário. Além de as ideias transmitidas a uma grávida que para ter uma boa relação com a sua cria terá de amamentar, condenam à partida a mesma... Depois do nascimento, o cansaço aliado à queda da progesterona em flecha, às dores da amamentação, à angústia, aos receios de ser má mãe, acabam por influenciar a hora da mama... E se achamos que a mama é fundamental para criar o laço afectivo, o desespero poderá estar a um passo. Não concordo com o sermos simples mamíferos e acho que amamentar não é natural ou animalesco... Somos seres sociais, com tabus, complexos, ideias pré-concebidas... deixámos o animal lá longe. E isso não se reflecte apenas no ter as tetinas e os biberãos... Ainda bem que, por ex., nunca li nada sobre não dar mama durante a semana dos Baby Blues (ou DPP, como muita gente os chama). Com lágrima ou sem ela dei sempre mama e correu lindamente. Sobre a água, não sabia... Apesar de ter ideia de ter ouvido algo semelhante na altura... Só que na altura optei por aceitar o conselho da minha mãe que deu mama 4 anos a três lontras e até que correu bem. A miúda mamava cerca de 10min em cada peito e à noite fazia uma média de 4 horas a dormir (às vezes ia às seis iupi!!!). No próximo (daqui a muiiiitos anos) experimento a tua dica.
Horas Vagas: Estaladão é pouco... Assusta-me muito ver que seres andamos a criar, a educar...
Mãe do Outro Mundo: Também acho que nos primeiros tempos o cheiro que reconhecem não tem nada a ver com o leite. Já um ou dois meses depois, o caso muda de figura e aí já conhecem muito bem o cheiro que lhes mata a fomeca...
Luísa: Pois eu também acho que o elo entre mim e a minha filha não tem nada a ver com as minhas mamas... Sbr inteligência logo se verá... desde que consiga ser feliz não me rala muito que seja mais ou menos inteligente, para ser franca. Claro que faço tudo ao meu alcance para que o cérebro e os sentidos dela sejam estimulados da melhor maneira... A ver vamos... Se sair à mãe às vezes será um bocado burrinha mesmo.
Loira: Esquece lá as escritas... vais ver que daqui a uns tempos os txts saem-te sem dares conta... Eu posso dizer-te que nunca me dei muito bem com a bomba... nem ela comigo. Ainda consegui tirar leite uma ou outra vez, mas os motivos foram sempre por ter excesso de leite (não Rute, nesta fase já não bebia litros de água... os litros foram só na primeira semana ;)) nas alturas em que ela alterava as mamadas. Também não acredito na amamentação até tarde e também gostaria de escrever um dia sobre isso... mas ainda não. Ainda não digeri toda a informação. E de facto tb curto ter outro ser pendurado nas minhas mamas hehehehe. E aqui sim, o elo passa pelas mamas (ESTOU A BRINCAR!!!). Deixa-me só dizer-te que há casos (aqui a je) de ter parado de amamentar há seis meses e de ainda ter leite e respectivas dores... alguém precisa de uma ama de leite??? (por estas bandas é nojento... há países em que há mesmo bancos de leite humano... E, sim, sequei-o com medicamentos; por duas vezes já...). Podes sempre deixar de amamentar o gajo pequeno e passares a amamentar o gajo grande LOL
O miúdo tem bom gosto sim... sabe a leite condensado com um toque de baunilha hehehehe
Beijos. Bom Domingo. E Feliz Dia do Pai!!!
concordo 100% contigo, quando dizes sobre dizer a uma mãe que ela TEM de amamentar para que tudo se promova, pois só o facto de o dizerem leva a que tudo não se efectue da melhor forma. por isso, devagarinho nos hospitais, já se pergunta à futura mãe qdo dá entrada no hospital se quer ou não.
sei que passamos da noção que não se devia amamentar, à uns anos, para que se TEM de amamentar.
A escolha é da mulher. claro que existem preconceitos. das enfermeiras, familiares amigos e tudo isso tb influencia.
Esqueci-me de dizer q, embora não tenha sido amamentada, considero-me uma gaja mto inteligente!
Ao teu estilo, Carla. Informativo, criativo e até engraçado. Essa das mamas peludas deu para rir. :)))) Vou recomendar o teu blog às minhas amigas que estão grávidas. Tenho a certeza que vão encontrar aqui dicas muito úteis sobre amamentação.
Um beijinho euromilhão
*Vou ver se já me respondeste ao e- mail. Ontem não pude ir contar o episódio e hoje tb vai ser difícil. Isto de andar a transportar caixotes tem muito que se lhe diga.
Rute: Também concordo contigo :). Na MAC perguntam sempre e por acaso, nos três dias que lé estive, não ouvi o discurso fundamentalista... Notei que incentivavam, que ajudavam a que a coisa fosse bem sucedida, mas sem stresses e também percebi que estavam atentos às mães que não desejavam amamentar e nunca os ouvi a censurar nenhuma.
Loira: :) Olha que eu com a mama que bebi acho que tinha obrigação de ser um bocadinho mais ;O)
Estrelinha: Mas não é inventado... tinha mesmo e às vezes brincava com isso. Também o meu gajo tentou dar mama à repolha... Foi de fartar de rir: ela com uns quantos dias a "cuspir" depois de sentir os pelitos hehehe - esta casa nesses dias parecia o circo, é verdade (a moça até poderá vir a ser traumatizada com estas pessoas à volta dela, mas bom humor terá com toda a certeza). Sobre as tuas amigas grávidas, vê lá se em vez de ajudar ainda desajuda... Quando quiseres uma mãozinha com os caixotes ;)
Nádia: Tu nunca mais largues esse pediatra. Que delícia de ser. Assino em baixo do que ele disse. Sim, acho que a dependência torna-se extenuante por vezes... Daí que de vez em qd a minha levava com leite de lata para eu ir ali e já voltar (a chatice é que o rejeitava a maioria das vezes - até aos 3 meses enganava-a de vez em quando a partir daí... só aos seis voltou a tocar num biberão e as tentativas não faltaram). Além de ter introduzido os sólidos aos quatro meses por naquela altura ter tempo de o fazer da forma mais apropriada, para mim também foi uma forma de suavizar a dependência e descansar mais. Se prosseguisse só com mama até aos 6 meses, começaria a alimentá-la de facto com angústia... Assim, as mamadas que ainda existiam eram uma pequena festa... até que deixaram de ser. Ser doida é bom. Às vezes é mesmo do melhor ;). Eu acho que não conseguiria ser mãe a tempo inteiro e acho os infantários mesmo muito divertidos. Mas lá está. Que seria do amarelo se todos gostassem do azul?
Beijocas
Opá! Essa do teu gajo a dar mama à Repolha é linda lol!
Pois eu amamentei 9 meses. Amamentava sem hora marcada, sempre que o meu filho queria! Tudo isto aqui é tão discutivel... Dava horas e horas de conversa... ao fim e ao cabo, cada mãe deve fazer o que a sua consciencia manda. Os elos alimentam-se, seja com leite ou com carinho... mas se temos o leite (e ele mesmo quando parece água, será água???) porque dar de outro? Temos sempre o biberão pronto e sai mais barato...
A maternidade é uma grande filosofia;) Háa mães que nunca pariram e que são eternamente ligadas aos filhos, há mães que amamentaram e nunca conheceram os filhos. O meu filho deixou de mamar no dia em que quis. Por ter sido assim, sinto-me feliz;)
bjs
Zelia
Oi!
Já sabes a minha opinião sobre o assunto! :)
Bjs
Loira: :) Uma verdadeira casa de malucos...
Zélia: Esta resposta é qs um post e espero q n o tomes c/o uma ofensa ;). Ainda bem q te sentes feliz por isso. Mas sentes-te melhor mãe? É essa a questão q aqui coloco. Além disso acho q a felicidade pode ser geradora de mais felicidade, mas tb pode ser origem de constrangimento e de mau-estar p/ outros. Inveja dos outros? N me parece. Sou de opinião q felicidade n é p/ ostentar. É p/ sentir e contagiar. Sou feliz e sinto-me abênçoada pelo "simples" facto de a minha filha ter nascido viva e saudável. Mas n me passa pela cabeça "vangloriar-me" disto, principalmente p/ pessoas q n tiveram essa felicidade e q tb têm o direito de serem felizes. Já lhes oferecer a minha filha p/ encher os seus braços por uns momentos é outra conversa.
Sbr o amamentar, na altura em q a minha garota nasceu, uma amiga tb teve o seu filhote e ficou s/ leite em menos de um mês. Durante esse tempo de sofrimento n me passou pela cabeça dissertar sbr as vantagens da mama, q ela bem conhecia, ou dizer-lhe dar mama é óptimo – o q achei. Já tentar falar-lhe dos benefícios de uma noite de sono e de um bom cozido à portuguesa (s/ chouriços), sim – mas c/ o devido cuidado; grávidas e mulheres acabadas de parir têm o direito de serem tratadas c/ pinças. E neste caso a expectativa foi o q destruiu o sucesso da amamentação. De tanto ler revistas de bebés, mentalizou-se q dar mama era natural... era animal. Estou certa q num segundo filho esta mulher terá leite p/ esse ser e mais uns tantos... Pq p/ a próxima já sabe o q falhou: o excesso de expectativa.
Mas n estou a promover um movimento anti-mama. Gostei (consta e a prová-lo está o facto de nunca ter admitido tetinas dentro da minha boca) de mamar na minha mãe e gostei de amamentar a minha filha (apesar de me ter sentido a mulher mais burra de todo o planeta enquanto o fiz; n conseguia elaborar um raciocínio sequer). Estou apenas a explicar q pensar muito, criar expectativas pode atrapalhar o processo. Sei q fui bem sucedida na amamentação pq qd lhe enfiei a mama na boca n estava preocupada. Se mamasse, mamava. Se n mamasse, dar-lhe-ia biberão e "mai" nada. Essa ausência de preocupação foi determinante. Pretendo apenas partilhar este facto c/ as mulheres q estão prestes a enveredar por essa aventura.
Dei de mamar até à beira dos 8 meses s/ hora marcada (n é bem verdade... começou c/ as papas aos quatro meses e qd deixei de dar mama ela já só mamava de manhã e à noite) e a decisão de acabar c/ a mama foi conjunta e n me acho nada melhor mãe do q a minha vizinha q deu biberão à filha desde q ela nasceu... Acho q em cada casa deve mandar quem lá habita... e em cada corpo o seu dono. É muito bonito dizer-se quando há leite deve ser dado, mas certamente nunca se viu leite a sair c/ sangue e um mamilo aberto em flor... eu já e se tivesse sido comigo teria optado pela mesma solução q esta mulher q conheço bem – lata p/ a frente. E acho q esta mãe só tem motivos p/ se orgulhar da forma c/o tratou a filha, hoje c/ 18 anos e unha e carne c/ ela, n enveredando por um caminho de sofrimento p/ ela e por consequência p/ a criatura. Acho q esta mãe é uma grande mãe e espero um dia ser tão grande quanto ela.
Mamã Babada: Sei sim. :)
Beijinhos
PS: Noite de insónia :(
Não te deves lembrar, mas os 1ºs comentários que trocamos de parte a parte foram sobre… AMAMENTAÇÃO…
Eu, que já lia uns blogs há uns meses nunca tinha lido nada tão sensato e verdadeiro. Na parte técnica da coisa estavas em sintonia plena com o nosso pediatra… na parte emocional em sintonia comigo!
Sabes que o q me mais me irrita nas “fundamentalistas” da amamentação é acharem que amamentar é sempre possível, basta querer… e isso é MENTIRA. Acho que eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida, juro-te. Amamentei, em ambos os casos até aos 3 meses… e depois o leite estupidamente acaba!!! Sempre achei que tinha pouco leite porque nunca sentia o peito a encher e outras coisas semelhantes, mas o facto é que elas durante esse tempo engordaram o dobro da “média”…
Eu que fiquei com a 1ª em casa até aos 8 meses e com esta vou certamente ficar ainda mais… a angústia é indescritível… no início achava que se era para sofrer desta maneira mais valia nunca ter dado de mamar!! Ao ponto que se chega.
Claro que agora, quando tempo começa a passar eu sei que o que vai ficar é a recordação fantástica do tempo em que durou. E se da 1ª vez eu lidei muito mal com o “fim”, pelo menos isso serviu para que com a 2ª eu amamentasse sempre como se fosse a última vez… com toda a intensidade.
Porque para mim foi sempre um prazer absoluto: físico e emocional!
Dizerem-me que eu não continuei porque não quis ou não soube é, no mínimo, maltratarem-me!!!!
Zuza: Lembro-me sim. Tenho memória de elefante para umas coisas e para outras de formiguita hehehe. Acho que neste texto não abarco as mulheres que quiseram, que sentiam prazer nisso, mas que o leite pffff foi-se como veio. Às vezes de um dia para o outro... Nem as que nunca chegaram a tê-lo. Ou as que o leite por mais calorias e vitaminas que ingerissem nunca chegou para calar a fome à cria (uma sobrinha mamava 10 minutos de cada mama sofregamente, no fim comia um biberão CHEIO e a seguir mais METADE!!! Só depois de estar cheia a cair para o lado se sentia satisfeita - isto pode explicar-se pelos dias que passou fome na barriga enquanto tentavam induzir um parto que era impossível de induzir. Ainda hoje com quase 13 anos come por hoje e por amanhã; a sorte é que gosta de comida saudável e dispensa doces. E não engorda... a mula!!! hehehe). E as coisas que se dizem a estas mulheres muitas vezes são simplesmente inacreditáveis. Acho as mulheres muito cabras umas com as outras. É esta a minha opinião pouco politicamente correcta... E olha deixa-me dizer-te que se eu tivesse acabado com a mama aos 3 meses (ou ela se tivesse acabado por ela) hoje guardaria recordações mais doces do que as que guardo... as dores de um peito feito pedra vieram depois disso. E estas eu dispensava para ser franca.
PS: Olha lá!!! Eu maltratei-te??? Maltratei alguém??? Nã percebi essa!!! É que se o fiz sem perceber como, a semana começa com o pé esquerdo snifff
:* (tradução: uma beijoca)
MAU! Começo a achar que entramos numa onda de "mal-entendidos" em catadupa!! O que TU fazes é exactamente o oposto de maltratar alguém!!! É escreveres lindamente em como cada caso é um caso e que a maternidade não se mede aos litros!!! como diria a nossa amiga, GOT IT???
LOLLLL Got it... Desculpa a pergunta, mas às vezes acontece (a mim acontece-me imensas vezes sem dar por ela...). E afinal de contas fazes 30 para o ano que vem, certo? ;)
ai!!! queres q te mande um fax com copia do BI???
:P
Rute e Mãe do Outro Mundo: Só uma curiosidade sobre o "cheiro xanax"... Nos primeiros dias a minha filha acalmava instantaneamente em dois colos, um dos quais sem leite: no meu e no da minha irmã - a mãe que ela terá de coração da mesma maneira que eu tenho duas filhas de coração, as da minha irmã. Temos as duas a voz tão igual que a nossa própria mãe não nos distingue ao telefone e é possível que tenhamos cheiros idênticos - afinal de contas partilhamos muitos genes. Ainda hoje, se a luz estiver apagada conseguimos "enganá-la". No outro dia, acordou por volta da meia-noite a reclamar pelo leite. Enquanto eu fui aquecer o leitinho a minha irmã foi ao quarto e pegou nela e ela acalmou no mesmo instante. Quando eu apareci com o biberão a garota "assustou-se" quando me viu... Mas se ela está ali, quem é esta desgraçada que me pega ao colo???? hehehe.
Olha, depois de ter lido tanta coisa, sim porque aqui no teu blog, além de ler o artigo ainda temos de ler os comentários senão somos logo acusadas de não ter lido a caixa de comentários ;b
Só queria dizer que também eu criei muitas expectativas e chorei imenso quando as coisas começaram a correr mal da primeira vez por culpa das enfermeiras de Macau que não incentivavam a amamentação e lhe enfiavam suplemento. Também as pérolas de sabedoria de outras pessoas mexiam comigo de tal modo que só me apetecia desatar ao estalo (as da avó paterna então!!!)
Depois as coisas começaram a compor-se e dei de mamar até aos 16 meses e adorei fazê-lo, acabou-se quando os dois quisemos e quando já era mais mimo que outra coisa.
Agora da segunda filha a política no hospital mudou e incentivam de tal modo o amamentar que vi mães a chorar que não conseguiam dar de mamar e as bestas das enfermeiras a dizerem, quase a gritar, que ela não dava porque não queria. E desta vez eu dei de mamar 4 horas depois dela ter nascido, sem problemas e sem stress porque a expectativa era muito menor.
Melhor mãe, não sei mas adoro os momentos únicos porque o são que estamos juntas e, se no início a dependência me chateava depois aprendi a usar a bomba (a minha é a manual da Avent e gosto muito, passe a publicidade) e deixava leite para lhe darem. E, se no primeiro não me custou dar de mamar até tarde não sei se esta terá a mesma sorte, principalmente porque tem mais dentes e acha imensa piada morder-me. A sorte dela é que ainda não me magoou.
Havia muito mais para dizer...
Bjs
Sandra: Sei que amamentaste (amamentas), mas nunca te li a fazer o discurso fundamentalista. É que isto de fundamentalismos tem um grave risco que é criar o fundamentalismo oposto. Há anos valentes havia as fundamentalistas anti-mama e quem a dava era olhado de lado. Isto acabou por criar o movimento contrário... Agora olha-se de lado a mãe que não amamenta (seja por que razão for). E ou isto muda ou no tempo das nossas filhas amamentar é novamente nojento... Espero que isso não aconteça e que as mulheres encontrem um caminho para o meio-termo, para o viverem e deixarem viver.
Como também sabes adorei amamentar, mas houve dias em que não sei se diga não sei se conte. Peito em pedra, dores horríveis; outro dia dar peito com uma gripe descomunal em que mal me segurava em pé (mas como o peito continuava em pedra não dava para passar mamadas). Com a bomba nunca me ajeitei e a gajinha cá de casa tb não se ajeitava nadica de nada com o biberão... Até aos 3 meses ainda a enganava, depois disso... está bem, está. Houve um dia em que comi qq coisa estragada e não só não lhe dei mama como tirei o leite para deitar fora... À meia-noite teve de comer uma papa (sentada e com babete) é que eram gritos de meia-noite só de sentir a tetina nos lábios (não fui eu que tentei dar...)
Beijocas
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